POESIA

DEFESA DOS LOBOS CONTRA OS CORDEIROS

10-02-2013 00:34

DEFESA DOS LOBOS CONTRA OS CORDEIROS

(Tradução de Afrânio Novaes)

Deve o abutre alimentar-se de flores?

o que exigis do chacal?
que ele mude de pele? e do lobo?
que ele mesmo limpe os dentes?
o que não apreciais
nos coronéis e nos papas?
o que vos deixa perplexos
na tela mentirosa?

quem irá então costurar para o general
a condecoração sanguinária em sua calça?
Quem irá fatiar o capão diante do agiota?
quem irá ostentar orgulhoso a cruz-de-ferro
diante da barriga que ronca?
Quem irá pegar a gorjeta, a soma,
a propina?

Há muitos roubados, poucos ladrões;

quem então os aplaude?

Quem lhes coloca a insígnia?

Quem é ávido pela mentira?

vede no espelho: covardes,
que evitam a fadiga da verdade,
avessos ao aprender, o pensar
é deixado a critério dos lobos,
a coleira é vossa jóia mais cara,
nenhuma ilusão é tão estúpida, nenhum
consolo é tão barato, qualquer chantagem
ainda é para vós branda demais.

cordeiros, irmãs são
as gralhas comparadas a vós:
cegais uns aos outros.
a irmandade reina
entre os lobos:

eles vão em bandos.

louvados sejam os predadores:
vós, convidativos ao estupro,
vos atirais sobre o leito negligente
da obediência. mentis e ainda
soltais ganidos. quereis
ser estraçalhados. vós
não mudais o mundo.

Hans Magnus Enzensberger

(Poeta alemão.)

 

INCOMPREENSÃO

08-02-2013 15:30

Incompreensão

 

Tormenta maléfica e ruim

Estranha sensação cá dentro

Impossibilidade total e castradora

Tem horas, que parecem o fim.

 

Maldosas gentes e ações

Causam esta dor tranquilamente

Servem seus escabrosos venenos

Como geniais e belas poções.

 

Não é compreensível o motivo,

Para tal razão plausível não há

Se desamores, odio ou raiva

Solte-se o coração cativo.

 

Porque se sujeitam outros ao sofrer?

Para quê causar tanto mal?

Com que fim se é tão egoísta?

Um dia perderão, pois hão-de morrer.

 

Vis e reles criaturas nos castigam

Atuam com maldoso rigor

Mentem e distorcem realidades

Aos estranhos aceitação mendigam.

 

Que se pretende com tal maldade?

Nunca serão para o comum entendíveis

Tais feios, abjetos e ínvios atos.

Para quando a vida com normalidade?

 

Talvez um dia se volte o sofrimento

Para quem agora é a sua causa

Avançará o tempo com sua lei natural

Dessa forma virá o eterno recolhimento.

 

Se não antes disso, nesse final derradeiro

Se fará a justiça para cada individuo.

Para os maus e injustos pedimos a Deus

Que para a morte avance em primeiro.

 

Antes do anunciado doloroso final

Chegarão seus dias de gemer e gritar

Tal como fizeram aos outros

Chegará sua vez de sofrer de causa animal.

 

Tresloucados e ignóbeis atos perversos

Maldades e jogos sem fim, barbaridades.

Aos ignorantes e incautos, das coisas

Apenas uma face sem reversos.

 

Perante tais atuações criminosas

Resta aguardar e tentar não perecer,

São verdadeiros golpes lancinantes

Ações feias castradoras e ruinosas.

 

Aceitar-se-ão mudanças e alterações

Mas acordadas e bem decididas.

Estas maldades e torturas causadas

Tornam estas gentes horríveis aberrações.

 

Nada de estranho afinal, não prestam.

Nunca antes prestaram,

Nunca em tempo algum prestarão

Seus atuais ou passados atos isso atestam.

 

08-02-2013

DINIS JESUS

 

BELEZA EM ESTADO PURO - LUIS VAZ DE CAMÕES

08-02-2013 02:04

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fôra assi negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: – Mais servira, se não fôra
Pera tão longo amor tão curta a vida!

SABER DE MÃE

25-01-2013 20:59

SABER DE MÃE

 

Ó sábia conhecedora

Protetora dos que em teu ventre se geraram

Para eles queres o melhor sem reserva

O tal instinto maternal, o proteger, o amar

Para toda a eternidade se mantem e conserva.

 

Dás conselho nem sempre bem recebido

Ainda que muito acertado seja

Por vezes ao gerado o entendimento se tolhe

Não vendo o que lhe pode vir a causar dor

Ouvisse teu saber, seria melhor o que se escolhe.

 

Por vezes exagerando nos cuidados

Sempre tentando tratar, ainda que fora de época

Tais as mudanças causadas pelos tempos.

Só não mudam na mãe as preocupações

A dor dum filho, sempre causa maus momentos.

 

Seja mais ou menos formada, a mãe

Agirá sempre com a prole da mesma forma

Tentando proteger e ajudar defendendo

Avançando na idade e com menos capacidade

Vai ensinando conforme vai podendo.

 

 

Dinis Jesus

VILANIA

25-01-2013 13:33

VILANIA

Aos outros fazer mal propositadamente

Sem qualquer preocupação ou moral

Não há regra na vilania, só causar dor.

Umas vezes retirando ganhos materiais

Outras apenas fugazes prazeres passageiros

Causar ao outro desgaste e soltar ais.

 

O vilão é homem ou mulher

Na atitude não conta o género

O mesmo se passa com quem sofre tal ataque

Querem causar dano sem fim

Levar o alvo a final e doloroso debaque.

 

Não se entenda vilão, o que causa dano sem querer

Pois só é, quem o mal faz com intenção.

Não se entende certa gente, nem Deus por aceitar

Garantidamente a ela não se pode dar a mão.

 

Estragos desmedidos na cabeça alheia

Pensamentos extremados e doentios

Obrigam a colher o que se não semeia.

 

Quem os afronta com calma ou justeza

No final triunfará com toda a certeza.

 

Morra de causa natural ou outra o causador de vilania.

 

25 – 01 – 2013

 

PROTITUTAS NÃO PROFISIONAIS

24-01-2013 18:13

Prostitutas não profissionais

 

Refinadas maldades e outras feias atitudes

Estas pessoas a toda a hora cometem.

Alcançar seus ganhos esperam, a todo custo

Para a isso a grandes vilanias se remetem.

 

Sempre felizes e contentes parecem estar

Ainda que em grande e doloroso sofrimento,

Só em si pensam a cada instante pela vida fora,

O prazer imediato querem a qualquer momento.

 

Para ver seus objetivos seus olhos são lanternas

Quando definido o alvo, começa o ataque assim:

Tudo vale, simpatia, riso e depois abrir as pernas.

 

Mal comportadas, manhosas e más tal e qual Jezabel

Provocações e ataques fazem sem norte nem fim

Para tal entendimento, concorre a beiçuda Isabel.

 

24-01-2013

Dinis Jesus

COMPORTAMENTOS INFELIZES

22-01-2013 15:10

Comportamentos Infelizes

 

Estranha forma de ser

A de algumas pessoas comuns

Dos outros fazem seu uso.

Não têm cuidado nem termo

Tratam sem respeito e sem pudor

Comportam-se como qualquer……

 Se bem, chamar-se-iam estupor.

 

Quando vemos que nos não servem

Frequentemente é tarde

Já usaram tudo o que queriam

Fazendo de nós frangalhos

Da vida juntos, nada mais,

Que infelizes e maus retalhos.

 

Contentam-se em ver a desgraça alheia

Por momentânea que seja,

Qual saltitante pardal

Vão saltando de galho em galho

Buscando afago passageiro

Pois sabem que com mentira

Não alcançarão firme poleiro.

 

A haver final e divino juízo

Na terra de Nicodemos, irão parar

Ainda que crendo na divina aceitação

Nunca poderão conviver com justos

Depois de tanto mal causar,

Não haverá perdão para alheios custos.

 

Nem perdões reclamam, tal a cegueira.

Sim cegueira se não é dos olhos

Certamente é da consciência

Fazem mal, abusam, são injustos

Mas no fim reclamam inocência.

 

Venha a condenação divina

Pois na terrena não há medida

Tais comportamentos maldosos

Darão a salvação como perdida.

 

 

17-01-2013

Dinis Jesus

 

 

CERTAS GENTES

22-01-2013 15:06

CERTAS GENTES

 

Nestes modernos tempos,

 Com grandes e justas incertezas

Há no mundo certas gentes, certas pessoas,

Que apenas a elas juntam vis tristezas.

 

São gentes de todas raças e feitios

Todas as estirpes e grandezas

São nobres e ricos ou só pessoas normais

Homens mulheres e que se mal comportam

Em muitas atitudes quase são animais.

 

Em todos os locais há dessa gentalha

São no governo os políticos

Ele é o arrumador o padre e o professor

É o cidadão comum e o larápio

O comerciante e o doutor,

 O polícia, o juiz e o advogado,

 São a esposa e o marido traidores

Indignos do parceiro, pois não o respeitam.

Tratam todos da moral, quais astutos violadores.

 

Será possível mudarem de atitude?

Só os tempos o dirão

Mas tais gentes, crê-se, sempre existirão.

 

Perderam de Deus o medo

Da sociedade já não têm vergonha

São os seres de hoje em dia,

Sempre o EU primeiro.

Gente da modernidade, talvez!

Capaz de tudo para ostentar poder

Mesmo tornando-se fazedores de malvadez.

 

De desalento, causadores

Estes seres são como vermes

Ou até piores que isso.

 

Da justiça,

Para que se fala tanto afinal?

Seja ela terrena ou divina,

Não se vislumbra nem sinal.

 

Dinis Jesus

 

<< 2 | 3 | 4 | 5 | 6