DIÁRIO -- 21/11/2012 : Solidariedade Portuguesa
Aníbal Cavaco Silva há 4 horas no facebook
- Há poucos dias, os concelhos de Silves e Lagoa foram afetados por uma tempestade de grandes proporções, provocando feridos, destruindo casas, fazendo com que muitos perdessem os seus haveres. Foi comovente observar a forma extraordinária como as populações se levantaram na limpeza das suas terras, em auxílio dos seus vizinhos, apoiando os que mais foram afetados. Assim se vê a alma de um povo. Em tempos difíceis, os Portugueses demonstram uma admirável capacidade de se auxiliarem uns aos outros, de olharem para quem mais precisa, de darem o seu melhor sem nada pedir em troca. Fazem-no de forma natural e espontânea, quase instintiva. Aqueles que estiveram nas ações de ajuda em Silves e Lagoa, são credores do nosso apreço, porque demonstraram o que de melhor existe no fundo de todos nós. Portugal vive tempos de incerteza, mas connosco temos um valor inigualável; a coesão nacional e o espirito de entreajuda do nosso povo. Há poucos dias nos concelhos de Silves (de onde a minha mulher é natural) e de Lagoa, houve portugueses que a todos nós deram uma emocionante lição de portugalidade solidária. Saibamos seguir este exemplo de civismo espontâneo. Ninguém deverá ser esquecido, ninguém deverá ficar para trás. Se nos mantivermos juntos e determinados, venceremos as adversidades que temos diante de nós.
Efetivamente, a solidariedade é uma característica do povo português, tem vindo a perder-se com os maus exemplos vindos de quem manda e em teoria devia organizar os destinos do país. Deviam estes governantes e os mais ricos (banca e grandes empresas) também ser solidários com a sociedade portuguesa em geral que está debaixo de uma catástrofe bem maior que a que aconteceu no algarve. Isto sem tirar o mérito dos que colaboraram na ajuda, minimizando o sofrimento dos que perderam material e psicologicamente, mas esta é uma situação pontual e que se não prolongará no tempo. Já a calamidade económica que se abate sobre os portugueses é aguda e severa, mas contrariamente aos picos das crises agudas, vai tornar-se cronica, prolongando assim a agonia e sofrimento de alguns milhões de portugueses, por oposição às centenas de prejudicados pelos caprichos da natureza. Ficam-lhe bem Sr. Presidente da República estes sentimentos e opiniões em relação à solidariedade humana, pois então faça o favor, em defesa da coerência, de defender todos os que estão debaixo do castigo permanente que representam as medidas de governação impostas pela Troika e pelo nosso governo. Apele à solidariedade dos mais ricos, não comparando perdas a sacrifícios. Perda= Dr. Mexia pagar 55% de impostos sobre 1.200 milhões de euros e ficar com 550.000€ para viver por ano. Sacrifício = tirar 10% de salário a quem ganha menos que 700€/mês. Tratamos sem proporcionalidade e como tal com total ausência de solidariedade. Estava na hora de deixar de subverter os valores da nossa constituição, que jurou respeitar e fazer cumprir, e pôr os que mais têm e só esses a pagar a calamitosa crise que temos.
Muito boa tarde.
Coimbra 21 de Novembro de 2012
Dinis Jesus