DIÁRIO -- 12/11/2012 : Nós e o vídeo do Prof. Marcelo
Fomos agora sabedores que a ideia do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, aquela de fazer um vídeo explicativo de como somos e o que sofremos às mãos dos nossos governantes, para mostrar aos alemães, avançou e avançou de uma maneira muito atabalhoada, dada a falta de categoria do tal vídeo. Não se pode fazer bem em tão pouco tempo e sem orçamento, e assim corremos o risco de fazer passar a ideia que somos toscos e pouco evoluídos. Não sei se os alemães ao não passar o vídeo foram bons ou maus para nós, se calhar foram até bons para não ficarmos mal vistos.
A ideia do Prof. Marcelo é claramente boa, esse é um dos caminhos que temos para mostrar que somos gente capaz e que não somos uns quaisquer gastadores que vivem sempre em festa e a gastar mais que o que podem, além de seremos pouco produtivos. A qualidade do trabalho é que é má, nada tem a ver com o vídeo do Turismo de Portugal onde se promove o destino Portugal que serviu de inspiração, esse é um trabalho de soberba qualidade, mas que deve ter custado, no mínimo, cem vezes mais que esta maquete de vídeo e que demorou meses a fazer.
Deve avançar-se com esta iniciativa e recolher para ela os fundos necessários ou o ministério dos negócios estrangeiros patrociná-la devidamente. Assim que esteja realizado, deve-se fazer passar nas televisões dos países que menos acreditam em nós como povo (Alemanha, Holanda, Finlândia etc.) como publicidade paga, durante o tempo suficiente para perceberem como somos e o que vivemos.
Somos um povo trabalhador e que nunca viveu acima das suas possibilidades, contrariamente ao que muitos, mesmo cá, querem dar a entender. Estamos na situação que estamos, dadas as especificidades das economias do sul da Europa, especificidades que não foram acauteladas devidamente nos tratados e aquando da adesão ao euro como moeda comum. Não podemos ter uma moeda comum e não ter mutualização da divida, isso claramente deixou-nos à mercê dos mercados (especuladores) e privilegiou os estados com economias mais fortes em detrimento dos que têm economias mais frágeis.
A razão do estado das nossas contas públicas, tem em muito a sua origem na forma como a Europa gere as suas políticas, agrícola, industrial, e sobretudo económica e monetária. Se não vejamos, o BCE empresta a bancos privados de todos os países a um juro muito baixo e esses bancos financiam-se barato e emprestam aos estados a um preço substancialmente mais elevado, enriquecem a banca e depauperam os estados, mas pasme-se, porque esses mesmos bancos privados aplicam montantes em fundos de risco e com isso se sujeitam também aos humores dos mercados, quando ficam em situação de risco de insolvência, são os depauperados estados a endividar-se para os capitalizar. Para isso esmaga-se o povo e sobretudo a classe média, retirando-lhe poder de compra e até de poderem cumprir com as suas dívidas, por via da recessão económica e aumentam-se os impostos para os que ainda vão ganhando o seu salário. A génese do problema está na Europa e em quem nela manda, e sobretudo na rede tentacular da alta e criminosa finança, que invade todos os centros de poder, na infame ansia de enriquecer uns quantos poucos empobrecendo todos os restantes.
Como esta máquina de triturar chamada mercados financeiros, que nada produz, vai continuar a trabalhar da mesma forma, é uma questão de tempo até os que agora ainda vão estando de razoável saúde económica, virem a ficar tal e qual os estados do sul. Talvez nessa altura se olhe diferente para a questão.
10 outubro 2012
DINIS JESUS