DIÁRIO - 26/01/2013

26-01-2013 23:37

Diário – Sociais-democratas e estados sociais

Hoje li no sol online, (https://sol.sapo.pt/inicio/Politica/Interior.aspx?content_id=67073 ) uma afirmação do ministro Aguiar Branco onde dizia que “não passa pela cabeça de nenhum social-democrata acabar com o estado social”. É bonita a afirmação, não fora a pratica desta gente do governo e próximos, ser absolutamente oposta à afirmação.

Pois eu acredito piamente na frase dele, e concordo em absoluto com a ideia que lhe subjaz.

Eu, um rapaz com ideias de esquerda, tenho lido muitos autores sociais-democratas e tenho de reconhecer que as ideias que defendem não me chocam em nada. Aliás mesmo a democracia cristã, que será um pouco mais à direita que a social-democracia, também não me choca nada, é só ouvir o discurso de insuspeitos democratas cristãos para lhe encontrar, ultimamente, muitas semelhanças ao que sempre disseram os partidos mais à esquerda do nosso espetro politico.

Ora portanto onde vejo eu o mal destas afirmações? Vejo-o na ausência de sociais-democratas, pois para ser social-democrata não basta estar inscrito num partido que tem no seu nome “partido social democrata”. Esta gente que nos governa e a maioria que sustenta o governo, não tem nenhuma ideia do que é ser social-democrata. Deveriam eles ler os autores que teorizaram acerca desse modelo? Acho que sim, pois só pensam no interesse do país, quando esse interesse é comum com o das suas contas bancárias, o que raramente é possível.

Toda a gente, que em Portugal se diz social-democrata, e que tem responsabilidades governativas, estaria melhor posicionada num partido com a conotação dos conservadores em Inglaterra ou dos republicanos nos Estados Unidos. Pois de social-democratas não se vislumbra nem ponta.

Vemos governar de uma forma, que em vez de distribuir a riqueza, apostar no investimento público como geração de riqueza, proporcionar aos cidadãos melhor qualidade de vida e serviços públicos de melhor qualidade e acesso mais facilitado, faz exatamente o inverso.

Concentra-se a riqueza na banca e nos grandes grupos económicos, dá-se privilégio aos agiotas financiadores e desprotege-se completamente os mais desfavorecidos e os trabalhadores.

Como se diz social-democrata, uma pessoa que prioriza o pagamento da divida aos credores, sem dilatar os prazos de pagamento e baixar as taxas de juro, em detrimento de apoiar os pobres, os desempregados, os idosos pobres e outros necessitados? Diz-se social-democrata porque acha que ter pena dos necessitados ou ser caridoso com eles, já faz de si um social-democrata. Pois quando muito faz de quem assim pensa refinados hipócritas e nada mais.

Mas não isento deste grupo, mesmo alguns que se dizem socialistas (PS), mas que se comportam como uns “Blairzinhos” (Tony Blair) de trazer por casa. Embora a espinha dorsal do seu partido assente, essa sim, numa filosofia social-democrata.

ENQUANTO FORMOS TOLOS CONTINUANDO A VOTAR COMO ATÉ AQUI, NOS CHAMADOS PARTIDOS DO ARCO DO PODER, NÃO TEMOS COMO NOS QUEIXAR. BASTA OLHAR COM ATENÇÃO PARA O ESTILO DE VIDA QUE DEFENDEM E PARA A MANEIRA COMO GEREM OS SEUS INTERESSES, PARA PERCEBER QUE SERÃO TUDO MENOS SOCIAIS- DEMOCRATAS. VEJA-SE COMO A FALAR DE SOCIAL-DEMOCRACIA, DE IMEDIATO TRAZ OS INTERESSES PARTIDÁRIOS PARA A DISCUSSÃO. ESTA É A NOÇÃO DESTA GENTE DO QUE É SOCIAL, MAS CLARAMENTE NÃO É A MINHA.

DEMORAREMOS MUITO A VIRAR CLARAMENTE À ESQUERDA PARA RECENTRAR A COISA? EU ESPERO QUE NÃO.

26-01-2013

DINIS JESUS