DIÁRIO - 23/01/2013
Diário – A ida aos mercados e a renegociação da divida.
Hoje fez o governo um teste ao mercado, emitindo em mercado primário títulos de divida a 5 anos. Correu bem, procura igual a cinco vezes a oferta e juros abaixo de 5%. Substancialmente abaixo da taxa de juro, à data do resgate, para a mesma maturidade.
Abriu-se uma janela de oportunidade para fazer tal teste e parece-nos que fez bem o governo em a aproveitar, servindo-se do clima de acalmia generalizada em toda a zona euro, após as declarações do Sr. Mário Dragui em agosto do ano passado.
Como não estava previsto esta emissão de divida, falta saber para que servirá se para pagar stock de divida já existente ou apenas para aumentar o já enorme endividamento. Preocupa-nos a opinião da banca perante o facto. Quando os abutres se congratulam é porque algum outro animal morreu, passo a comparação.
Deixo em baixo um gráfico que demonstra o perfil da nossa divida e o valor a amortizar em cada ano.

Com a venda de hoje em 2018 teremos de liquidar algo como 12,5 MM€, se não financiarmos mais nada com vencimento nessa data.
Perante este gráfico e perante o facto de que o governo, já percebeu que tem de dilatar prazos. Não nos daria maior credibilidade e até imagem, prolongar no tempo o pagamento desta mesma divida e diminuir os valores a amortizar por ano? Se dilui-se-mos esta divida para pagar até 2024 por 20 anos e consegui-se-mos uma taxa de juro abaixo de 3%, melhoraríamos o nosso perfil de divida e resguardar-nos-íamos das flutuações do mercado, alem que o esforço para pagar anualmente diminuiria.
Essa sim seria uma vitória enorme do governo e por arrastamento dos portugueses.
Ainda assim precisaremos nos próximos três anos de financiar 110,6MM€, para amortizar divida e absorver os deficits gerados até lá. Junto link com noticia do expresso.
https://expresso.sapo.pt/portugal-tem-que-financiar-1106-mil-milhoes-entre-2014-e-2016=f781241
Claramente e a olho, parece-nos da mais elementar boa gestão tentar baixar os picos de endividamento e tornar mais regulares os valores a amortizar por ano.
É bom dizer que esta situação de hoje e ontem, em nada muda a vida dos portugueses em termo de gestão diária, pois o orçamento e o brutal aumento de impostos para este ano, manterá as gentes cá do retângulo a passar muito mal, ou pelo menos alguns.
É BOM SABER QUE A DIVIDA CONTINUA A AUMENTAR AO RITMO QUE AUMENTOU NOS ULTIMOS DOIS ANOS DE GOVERNAÇÃO DO POSSUIDO SOCRATES.
SE NÃO RENEGOCIAR-MOS, PRAZOS E TAXAS DE JURO, ESTA DIVIDA TORNAR-SE-Á INSUSTENTAVEL. DEVE-LO-IAMOS TER FEITO ANTES DA VINDA DA TROIKA E EVITAR-SE-IA MUITOS INCOMODOS AOS PORTUGUESES, MAS A PRESSÃO SOBRE O GOVERNO FOI IMPOSSIVEL DE AGUENTAR.
23-01-2013
DINIS JESUS