DIÁRIO - 15/02/2013
Diário – Até quando se pode apelar ao passado para justificar as desgraças de hoje?

Este tema de hoje, surge do debate quinzenal com a presença do senhor primeiro-ministro no parlamento. Já nem sei se tais debates são ou não importantes, tal a teatralização que neles se verifica, como dizia hoje um amigo meu, apenas estão lá a desempenhar um papel, mais nada.
Perante a inquirição de um inseguro Seguro, líder do maior partido da oposição, confrontando-o com os resultados catastróficos de todos os indicadores, desemprego, contração do PIB, desaceleração do crescimento das exportações, etc etc. O que responde o senhor primeiro-ministro, nada. Balbucia umas coisas, que em termos gramaticais não estarão mal, mas nada explicam a situação e pasme-se aponta comportamentos do partido socialista quando governo em 2009, esquecendo que nessa altura, mesmo em crise a economia crescia quase 2%, mesmo em 2010 ainda cresceu 1,6%. Estranha no mínimo, senão bizarra comparação.
É fácil cair na tentação de justificar os nossos erros com o comportamento dos outros, mas não é muito bem-educado e é de todo muito pouco sério da parte de quem tem a obrigação de ser honesto e conduzir bem os destinos de um país.
Até quando valerá acusar o “demónio” Sócrates da desgraça em que cada dia mais nos afundamos? Valerá para a eternidade? Será que também ele poderá ainda hoje, já afastado, acusar Santana e Barroso, Guterres ou até mesmo Cavaco pelo desgraçado país que herdou? Esta falta de chá e o atirar com as culpas para cima dos outros, não nos parece nada sadia nem digna de gente com responsabilidades governativas.
Piora muito a falta de honestidade intelectual, quando se encontram justificações para a atual situação na conjuntura internacional, mas antes essa nunca era uma premissa válida se a ela apelava o governo da altura e esta gente que governa hoje, estava na oposição. Hoje todos sabemos que na atual atitude europeia, os países periféricos, têm muito poucas hipóteses de se manter em situação de contas públicas equilibradas, mesmo os países do norte a prazo estarão condenados à contração das suas economias, a poderosa Alemanha ou muito nos enganamos, ou será já em 2013 que entrará em recessão.
Perante esta crise, apenas fazemos o papel de tontos e tentamos cumprir todas as normativas impostas pela chamada Troika sem sequer questionar, num absoluto servilismo e entrega aos interesses dos mais fortes, que dificilmente serão os nossos. Vamos acenando com o integral cumprimento das nossas obrigações, mas fazendo do instrumento orçamento, o fim em si, da governação. Se não o orçamento como fim, pelo menos algumas das suas condições, sobretudo uma, o tal de deficit. Para o cumprir sacrificam-se todas as boas práticas de gestão e rigor, vendemos bens ou propriedades pelo valor que nos permita cobrir as faltas, absorvemos os fundos de pensões que a prazo darão elevados prejuízos ao estado, tudo mas tudo vale para que o numero final não ultrapasse o assumido nos contratos com a Troika. Misera sorte, estranha condição. No final do plano de resgate estaremos em todos os indicadores mais pobres e nada teremos corrigido ao mal que deu origem ao mesmo resgate.
Claramente desta situação resultam elogios do resgatadores e dos parceiros da união europeia, mas não porque as contas estejam mais solidas e com melhor imagem, apenas porque cumprimos com os errados planos que traçaram para nós e defendemos os agiotas financiadores do estado. Nestes estão bancos e investidores estrangeiros mas também portugueses, que pressionaram para o resgate, capitalizaram-se com ele e agora numa posição de maior solidez, voltam a chantagear e a fazer o que querem para lucrar cada dia mais. Tudo se justifica com uma bonita e elucidativa expressão: está a aumentar a confiança dos investidores/mercados, na nossa economia. Pergunto eu: De que serve isso ao Zé Povinho? Certamente de nada, pelos tempos dificeis que vamos vivendo na nossa sociedade e o que a pobreza a cada dia mais alastra no nosso triste país.
TEMOS POLITICOS POUCO SÉRIOS E ASSIM NÃO SAIREMOS DA DESGRAÇADA SITUAÇÃO QUE TEMOS.
FALE DE HOJE E NÃO DO PASSADO SR. PRIMEIRO-MINISTRO, ESSA É UMA ATITUDE POPULISTA E QUE SÓ CONVENCE PATETAS. NÃO VIVA DE CONVENCER ALGUNS, TRATE ANTES DE IMPULSIONAR A ECONOMIA FOMENTANDO O CRESCIMENTO. COMO? PERGUNTARÁ O SR. RESPONDO-LHE EU: FAÇA TUDO AO CONTRÁRIO DO QUE TEM FEITO ATÉ HOJE, ACERTARÁ QUASE EM ABSOLUTO.
15-02-2013
Dinis Jesus