DIÁRIO - 09/02/2013

09-02-2013 23:50

Diário – As filosofias alaranjadas de António Borges

 

Hoje durante a manhã, ouvi na rádio o ilustríssimo Dr. António Borges, conselheiro do governo para as privatizações. Sabe-se que por princípio e ideologia politica, dificilmente, ele e eu estaremos de acordo. Mas não tenho duvidas que ele, Dr. António Borges, está muito mais adaptado ao meio e é nele muito, mas muito, mais bem-sucedido do que eu.

Pese a consideração que fiz atrás acerca do sucesso do Dr. Borges, isso não me impede de achar que o Prof. Dr. Oliveira Salazar era um comunista quando comparado com ele, tal o seu apego ao ultraliberalismo de cariz quase criminoso.

Não me vou alongar em exemplos sobre os quais baseio a minha consideração, pois seriam tantos que tornariam fastidioso o texto. E ainda assim não tenho a certeza que o não seja ao escrever as minhas sensações.

Diz ele, que a CGD deve ser aberta a capital privado, ainda que em minoritária percentagem, para fiscalizar a gestão pública da CGD e assim obrigar os gestores à lâmpada do rigor e da disciplina, fundamentada na obrigação de responder a alguém que manda.

Este senhor parte do princípio que a propensão para a má gestão é natural e só a vigilância apertada de quem é dono neutraliza essa atitude natural. Ora o que me mostra o passado bancário em Portugal é que os únicos bancos que foram mal geridos ou mesmo roubados, foram os privados e com gestões que assentam nos valores liberais do Dr. Borges. Será que ele se fosse convidado para gerir na CGD em nome do estado e com este como único acionista, cairia na tentação de gerir mal o banco? Ou de o roubar gerindo no seu interesse próprio? Posso inferir das suas palavras que sim e só não o faria se houvesse na estrutura acionista da CGD 49% de capital privado.

Serão todos os possíveis gestores bancários assim? Quero crer que não, assim penso que será possível encontrar pessoas sérias, neste desgraçado país, pessoas para gerir bem em nome do estado, sem a tentação natural para roubar ou mal gerir, que o Dr. Borges aceita como natural. Será natural nele, mais nuns quantos da sua cor e atitude, mas ainda acredito que não é generalizada a todos os possíveis gestores.

Teremos de voltar à década de trinta do seculo passado e à discussão Keynes/ Hayek, para que estes pensadores de meia tigela entendam, o que nos tornou mais ricos, com mais direitos e com níveis de desenvolvimento humano da ordem dos que temos hoje? Quando ouço o Dr. Borges e mais algumas pessoas acho que sim, teremos de os colocar perante o cenário da altura para verem como era e o que nos tirou de lá.

Depois ouço-o a falar num tom e atitude, que alguém mais distraído pensará que ele é uma sumidade e tem um entendimento superior de mundo e da economia. Pois eu pergunto-lhe: Diga-me um local onde o modelo de Hayek tenha resultado? Um só local, por favor. Eu por mim posso dar-lhe vários países onde o modelo de Keynes funcionou até à década de noventa do seculo vinte e mesmo alguns onde ainda funciona hoje na perfeição.

Vai dizer-me que deixou de funcionar, pois deixou e por uma simples razão, os estados deixaram de ter poder e esse foi transferido para o capital e para a especulação dos mercados. De acordo com o modelo de Hayek, que é o do Dr. Borges,  contra o de Keynes e que é muito proximo do meu.

Admito que ache que devemos ter menos estado, embora eu não entenda assim. O mal é que o menos estado que defende cada dia é mais estado no nível de cobrança aos cidadãos, destinando esses fundos a enriquecer só alguns.

Fala na mesma entrevista o Dr. Borges de estado social como uma necessidade, mas apenas porque dá votos, não porque o entenda, pois atribui-lhe uma missão apenas de fazer caridade. Ao mesmo tempo que fala dele acha que ele deve encolher, não será isto um contrassenso? Julgo que sim.

Fala também de crescimento de 3,4 ou 5% já num futuro próximo, isto ou é burrice pura, ou maligna intenção de enganar o povo português. Se o modelo europeu e ocidental de gestão e ordenamento dos capitais, públicos e privados, não mudar rapidamente, ficaremos mais pobres por mais vinte anos. Não concorre para inverter o caminho de empobrecimento, a ordem nas contas públicas, veja-se como eram ordenadas antes de 74 e o nivel de pobreza de que padeciamos em Portugal. Ainda assim preferia o modelo anterior a 74 do que o modelo que defende o Dr. Borges.

As coisas, os modelos e os caminhos, não são bons ou maus, porque os defende o Dr. Borges ou mais uns quantos apaniguados dele. São bons ou maus por fazerem um maior ou menor número de pessoas viver bem e sem dificuldades em cada sociedade. Quanto ao pagar isso, seremos sempre os mesmos em todos os modelos, os contribuintes.

Fico possesso quando ouço alguém dizer que vivemos acima das nossas possibilidades, alguns viveram, o Dr. Borges por exemplo, pois teve acesso a um rendimento substancialmente acima da produção de riqueza per-capita dos cidadãos portugueses. Mas terão sido todos assim? Respondo com firme certeza, não, não foram. Alguns roubaram muito, talvez legitimamente, mas roubaram o que devia ter sido repartido por todos. Veja de que cores políticas são essas pessoas e que modelos e caminhos defendem. Concluirá que são os seus parceiros em cor e modelos.

 

TANTA FALTA DE HONESTIDADE E SENTIMENTO DE SUPERIORIDADE DE ENTENDIMENTO, LEVAM-ME A ATRIBUIR-LHE A CLASSIFICAÇÃO DE “ ATRASADO MENTAL” QUE TAMBEM ATRIBUI AO DR. ULRICH PELAS MESMAS RAZÕES.

NÃO PASSE POR FAVOR ATESTADOS DE BURRICE A ALGUNS CIDADÃOS, FAÇA ISSO SÓ AOS QUE O DEFENDEM E VOTAM DE ACORDO COM OS SEUS MODELOS E VALORES. POIS SÃO ESSES QUEM TEM ESTE POVO ONDE ESTÁ HOJE, CULPA DOS LADRÕES ULTRALIBERAIS QUE NOS DESGOVERNARAM, FIZERAM-NO  DENTRO E FORA DO GOVERNO, DISTRIBUINDO MAL OU AOS COMANDOS DA BANCA E DA CRIMINOSA FINANÇA QUE O DR. BORGES SEMPRE REPRESENTOU. LEMBRE-SE DAS VIGARICES DA FINANCEIRA"S&P" NA REVALORIZAÇÃO DA DIVIDA GREGA, FINANCEIRA ESSA ONDE TRABALHOU.

09-02-2013

DINIS JESUS