Diário - 05/01/2013

05-01-2013 21:15

CASAS INTELIGENTES/ ECOLOGICAS

 

Hoje assisti a um programa na televisão, onde eram apresentados vários edifícios e opiniões acerca da temática das casas inteligentes e com grande sentido ecológico.

Localizo-me, dizendo que embora desde sempre ligado à técnica e às instalações em edifícios, e já lá vão mais de 25 anos, tenho em relação a isso uma opinião muito, mas muito controversa e mesmo contraditória em relação ao que tem sido comum ser aceite como caminho acertado na defesa do ambiente.

Obriga-se os edifícios a serem muito eficientes em termos energéticos, dizendo que 40% dos consumos energéticos são causados pelos edifícios. Mas ninguém calcula o que aumenta o consumo a montante dessa eficiência para a alcançar. Pois, é que tem de se incorporar muito mais matérias-primas e fazer a sua transformação, para atingir esse objetivo.

Davam como exemplos dois edifícios o Cristal da Siemens em Inglaterra e o edifício sede da CGD cá no nosso retângulo. Ora aí estão dois exemplos de edifícios modernos e apresentados como modelos quase perfeitos de eficiência.

 Pois vejamos a nossa opinião, no caso do edifício da Siemens o custo por m2 do dito, será seguramente 10 vezes o aceitável para um utilizador comum, alem disso tem uma incorporação de equipamentos e materiais de instalação que daria para fazer no mínimo cinco edifícios tradicionais e sem tais avanços tecnológicos. Bem sei que usa nas sanitas água da chuvas e aguas reaproveitadas de outras utilizações, mas para isso tem de ter canalizações distintas para águas brutas e potáveis e as redes de saneamento, também tem de ser duplicada a sua quantidade, tem vidros que se escurecem ou clareiam em função de mais ou menos necessidade de sol, tem comandos super inteligentes na gestão de consumos energéticos, tem produção de energia e água quente de fontes renováveis. Para tal, quantos quilómetros de tubos cabos e outros materiais de instalação tiveram de ser usados que não seriam num edifício mais simplificado, quantas bombas estão instaladas neste edifício por via dos reaproveitamentos? Quanto custa isso e quanto sobrecarrega o planeta em termos ecológicos? Alguém fez ou quer fazer essas contas? Resposta, não, ninguém fez nem quer fazer. É bonito apresentar só um lado da questão. Entendo este edifício, pois serve de cartaz publicitário para uma marca que fabrica os produtos nele utilizados, como tal tem de os defender e apontar os ganhos que proporcionam, sem apresentar os custos dos produtos e mesmo do edifício, nem apresentando um cálculo dos consumos de energia de fontes fosseis utilizada na fabricação de tão elevado grau de incorporação.

No caso da CGD, foi apresentado como caso prático de eficiência, o sistema de produção de energia solar térmica para a climatização do edifício. Pois basta, para um olho mais traquejado, ver o manancial de equipamentos instalados para obter tal eficiência, para de imediato começar a por em causa a bondade do sistema, custou milhões de euros, usou toneladas de matérias-primas, usou consumos energéticos, altissimos, para fabricar os equipamentos aquando da sua produção. O resultado da poupança que proporciona poderia ser alcançado alterando apenas os perfis de utilização, por exemplo em vez de ter no inverno o edifício com 25 graus no seu interior, ter só 23 graus e o oposto no verão em vez de ter 21 graus ter 23 graus, a poupança que daqui resultaria seria enorme e sem investimento nem incorporação de novas instalações, como as do nono andar do edifício CGD.

Para enquadrar este tipo de raciocínio, deixa-mos como reflexão a seguinte questão: se cada vez se produz mais energia a partir de fontes renováveis, porque se consome cada dia mais energia de fontes fosseis? Falamos à escala do planeta, pois esta coisa da ecologia só no nosso quintal é capaz de não fazer sentido.

Será que a melhor, ou se calhar única, forma de tornar eficientes os edifícios, era limitar a energia a consumir por metro quadrado de cada edifício? Obrigando assim os fabricantes de produtos a fazer cada dia equipamentos mais ligeiros e frugais em termos de consumos energéticos.

Para poupar o planeta, temos de reduzir os consumos, não haverá outro caminho. Pois fabricando estes tão ecológicos sistemas, como até aqui, temos vindo sistematicamente a aumentar os consumos energéticos. Nem falo dos interesses que se criaram por via das renováveis, nem daquilo a que, esses interesses, agora obrigam. Tal redução obter-se-á educando as pessoas e tornando mais frugais os hábitos, também estabelecendo outros perfis de funcionamento para os edifícios, públicos e privados. Hoje consome-se por ano, um mundo e meio, ou seja o que se retira do planeta por ano, a terra demora ano e meio a repor.

Guardei uma frase neste programa com a qual concordo inteiramente, foi dita pelo cantor Miguel Ângelo, referindo-se ao ecológico por via da tecnologia, dando até como exemplo a bicicleta a regressar a Lisboa.

“ Se calhar, nestas coisas, o avanço está em retroceder um pouco”

 

POIS SE QUEREMOS SER ECOLOGICOS, SÓ HÁ UMA FORMA, CONSUMIR MENOS EM TODOS OS ASPETOS, NÃO SÓ POUPAR ENERGIA EM CASA, MAS A MONTANTE TER GASTO O DOBRO DOS RECURSSOS, QUE SE VÃO POUPAR, EM TODA A VIDA UTIL DOS SISTEMAS.

05-01-2013

DINIS JESUS