DIÁRIO - 04/01/2013
Diário – A Raposa que guarda o galinheiro
Hoje pela manhã ouvi nos noticiários das televisões a expressão, “ colocaram uma raposa a guardar o galinheiro”, pela boca da Srª deputada Ana Drago, pessoa por quem tenho admiração, sobretudo pela forma tranquila como expressa as mais contundentes opiniões, diz o que tem de dizer de forma veemente, mas sem usar a gritaria e o insulto fácil de muitos outros deputados.
Referia-se à tomada de posse da comissão que estudará a proposta para novo código do IRC, e sobretudo o comandante-mor de tal comissão, o Dr. Lopo Xavier.
Partia a ilustre deputada do princípio que um administrador de não sei quantas grandes empresas, como tal potenciais grandes pagadores de IRC, vai defender quem lhe paga o salário em vez de defender os cofres do estado. Parece-me plausível tal entendimento, sobre tudo depois do regabofe a que temos assistido na última década, ou mais, com as tomadas de decisão assentes nos pareceres de tão ilustres opinantes, como os que foram influenciando as decisões governativas e depois se passaram para os interesses privados.
Gostava de pensar que a deputada Ana Drago, não tem razão, mas nestas coisas dos dinheiros públicos versus ganhos privados, era melhor além de ser sério, também não deixar hipóteses de suspeitas. E aqui a baixa do IRC claramente vai beneficiar as empresas das quais é administrador o reputado advogado e político do CDS.
Sei que a comissão não vai auferir rendimentos ou salários, o que desde logo me assusta, porque será tratado este trabalho como coisa secundária diante de outros avultados ganhos noutros afazeres. Mas mesmo não sendo remunerados, não se encontrariam vários professores de economia capazes de fazer tão bem ou mesmo melhor o trabalho e sem serem conotados aos interesses privados e das grandes empresas? Quero crer que sim, felizmente ainda vai havendo muitas pessoas ilustres e tecnicamente capazes para tal tarefa.
Aparte as suspeições que tal nomeação já vai causando, se tudo o que concluírem, passado algum tempo correr mal, poder-se-á pedir responsabilidades a esta gente em conjunto com o governo? Este ultimo será sempre o responsável derradeiro pelas medidas que venham a resultar do relatório final de tal comissão, mas imagino que seguirá as conclusões.
Bem esperamos, muitos portugueses, que não, pois tais conclusões estarão para ser entregues ao governo em outubro e esperamos que nessa altura já não governe este grupo de rapazinhos, pouco instruídos politicamente e ao que parece meios aprendizes de feiticeiro em termos técnicos.
Julgamos ainda que esta não é a altura certa para estudar reformas desta natureza, pois estas medidas, que estão a ser faladas, colherão hipoteticamente resultados a longo prazo e no curto prazo diminuirão as receitas do estado. Nesta conjuntura era necessário por a pagar mais que tem mais hipóteses de o fazer. Em tempos de naufrágio é preciso sobreviver prioritariamente a ser um grande nadador, claramente precisamos de sobreviver porque os tempos são de claro naufrágio.
JÁ SALAZAR DIZIA: “ MELHOR QUE SER MINISTRO É TER SIDO MINISTRO”, EU ACRESCENTO A MINISTRO OS APARENTADOS CONSELHEIROS E ESTRATEGAS.
04-01-2013
DINIS JESUS