DIÁRIO - 02-02-2013
Diário - Colagem a Marinho Pinto, no uso de ARY DOS SANTOS.
Porque duas pessoas pequenas na dimensão humana e mesquinhas, me violentam todos os dias, hoje como ontem seguindo na mesma linha e insultando sem me incriminar, chamo a tais pessoas todos os nomes feios que me assaltem o pensamento.
Pois porque me querem impedir de exercer os meus direitos como pai e estão a violentar psicológicamente a cabeça da minha filha no sentido de a adaptar a viver sem o pai, vou usar o poema de José Carlos Ary dos Santos para com uma deriva de poeta para pai expressar o que sinto e o que vou fazer.
Reconheço que me inspirou o Sr. bastonário da ordem dos advogados so usá-lo sábiamente na abertura do ano judicial.
"Poeta Castrado, Não! adaptado a "PAI castrado, Não"
Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
PAI castrado não!
Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegada poesia
quando ela nos envenena.
Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:
De fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?
Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?
E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia !
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
PAI castrado, não!
in SANTOS, Ary dos. - Resumo. Lisboa, 1973.
02-02-2013
DINIS JESUS