BRANCA PARAGEM
Hoje por ser dia mundial da poesia e porque me lembraram disso mesmo, aqui deixo um poema meu em resposta ao solicitado por essa ilustre amiga.

BRANCA PARAGEM
Para-se-nos o cérbero
Vazio e infinito
Nada conta, apenas avança
A cada segundo o tempo.
Esse valor imaginário
Mas que nos impede
E impele a avançar
Vamos assim a parte alguma.
E quando voltamos?
Cá estamos como antes
Sem ter saído do sitio,
Foi apenas tempo
A condição a que nos sujeitámos.
Será pouco? Não sabemos,
Logo nos dirão os guardiões
Da verdade e dos avanços do mundo.
Bom é o tempo que corre devagar,
Sem que quando voltamos,
Sim, dessa paragem funcional
Alguém nos castigue ou melindre
Porque voámos por segundos
E largámos o pelear terreno.
Desistimos apenas, por momentos,
De contra o tempo lutar.
Dinis Jesus
14-03-2013
JUNTO TAMBEM UM POEMA DO ILUSTRE AGOSTINHO DA SILVA, PENSADOR DE QUEM ME SOCORRO FREQUENTEMENTE PARA ENCONTRAR RESPOSTAS BOAS PARA DIFICEIS QUESTÕES. FOI-ME ENVIADO PELA MINHA AMIGA ÉLIA, PARA NESTE DIA MUNDIAL DA POESIA, TORNAR MENOS FEIO O MEU DIA.
QUERIA QUE OS PORTUGUESES
Queria que os portugueses
tivessem senso de humor
e não vissem como génio
todo aquele que é doutor
sobretudo se é o próprio
que se afirma como tal
só porque sabendo ler
o que lê entende mal
todos os que são formados
deviam ter que fazer
exame de analfabeto
para provar que sem ler
teriam sido capazes
de constituir cultura
por tudo que a vida ensina
e mais do que livro dura
e tem certeza de sol
mesmo que a noite se instale
visto que ser-se o que se é
muito mais que saber vale
até para aproveitar-se
das dúvidas da razão
que a si própria se devia
olhar pura opinião
que hoje é uma manhã outra
e talvez depois terceira
sendo que o mundo sucede
sempre de nova maneira
alfabetizar cuidado
não me ponham tudo em culto
dos que não citar francês
consideram puro insulto
se a nação analfabeta
derrubou filosofia
e no jeito aristotélico
o que certo parecia
deixem-na ser o que seja
em todo o tempo futuro
talvez encontre sozinha
o mais além que procuro.
Agostinho da Silva, in 'Poemas'
ESTE FALA DOS PORTUGUESES E É DE UMA FIDELIDADE QUASE ATERRADORA A DEFINIR ALGUNS QUE SE JULGAM SUPERIORES APENAS POR SEREM DOUTORES, DEPOIS É TAMBEM EM TERMOS DE DESEJO, INDICADOR DO CAMINHO PARA SER MELHOR.
BEM HAJAS MINHA ILUSTRE AMIGA ÉLIA, PELO QUE ME FAZES CHEGAR.