BRANCA PARAGEM

21-03-2013 18:58

 

Hoje por ser dia mundial da poesia e porque me lembraram disso mesmo, aqui deixo um poema meu em resposta ao solicitado por essa ilustre amiga.

 

BRANCA PARAGEM

Para-se-nos o cérbero

Vazio e infinito

Nada conta, apenas avança

A cada segundo o tempo.

Esse valor imaginário

Mas que nos impede

E impele a avançar

Vamos assim a parte alguma.

 

E quando voltamos?

Cá estamos como antes

Sem ter saído do sitio,

Foi apenas tempo

A condição a que nos sujeitámos.

Será pouco? Não sabemos,

Logo nos dirão os guardiões

Da verdade e dos avanços do mundo.

 

Bom é o tempo que corre devagar,

Sem que quando voltamos,

Sim, dessa paragem funcional

Alguém nos castigue ou melindre

Porque voámos por segundos

E largámos o pelear terreno.

Desistimos apenas, por momentos,

De contra o tempo lutar.

 

Dinis Jesus

14-03-2013

 

JUNTO TAMBEM UM POEMA DO ILUSTRE AGOSTINHO DA SILVA, PENSADOR DE QUEM ME SOCORRO FREQUENTEMENTE PARA ENCONTRAR RESPOSTAS BOAS PARA DIFICEIS QUESTÕES. FOI-ME ENVIADO PELA MINHA AMIGA ÉLIA, PARA NESTE DIA MUNDIAL DA POESIA, TORNAR MENOS FEIO O MEU DIA.

 

QUERIA QUE OS PORTUGUESES


Queria que os portugueses
tivessem senso de humor
e não vissem como génio
todo aquele que é doutor

sobretudo se é o próprio
que se afirma como tal
só porque sabendo ler
o que lê entende mal

todos os que são formados
deviam ter que fazer
exame de analfabeto
para provar que sem ler

teriam sido capazes
de constituir cultura
por tudo que a vida ensina
e mais do que livro dura

e tem certeza de sol
mesmo que a noite se instale
visto que ser-se o que se é
muito mais que saber vale

até para aproveitar-se
das dúvidas da razão
que a si própria se devia
olhar pura opinião

que hoje é uma manhã outra
e talvez depois terceira
sendo que o mundo sucede
sempre de nova maneira

alfabetizar cuidado
não me ponham tudo em culto
dos que não citar francês
consideram puro insulto

se a nação analfabeta
derrubou filosofia
e no jeito aristotélico
o que certo parecia

deixem-na ser o que seja
em todo o tempo futuro
talvez encontre sozinha
o mais além que procuro.

Agostinho da Silva, in 'Poemas'

ESTE FALA DOS PORTUGUESES E É DE UMA FIDELIDADE QUASE ATERRADORA A DEFINIR ALGUNS QUE SE JULGAM SUPERIORES APENAS POR SEREM DOUTORES, DEPOIS É TAMBEM  EM TERMOS DE DESEJO, INDICADOR DO CAMINHO PARA SER MELHOR.

BEM HAJAS MINHA ILUSTRE AMIGA ÉLIA, PELO QUE ME FAZES CHEGAR.